Esse blog foi criado por estudantes do 5° semestre do curso de psicologia, com o objetivo de integrar práticas, reflexões, experiências e saberes relativos ao campo "psi", que é uma ciência que visa compreender questões relacionadas ao ser humano com por exemplo suas emoções, pensamentos, ações e a maneira de interagir com o meio e a sociedade.
Procuramos contemplar os conhecimentos, competências e habilidades sobre as diferentes visões teóricas e metodológicas adquiridas nas disciplinas ao longo do curso, possibilitando assim um olhar abrangente da psicologia.

domingo, 19 de junho de 2011

MUSEU DE IMAGENS DO INCONSCIENTE

   
    No ano de 1946, quando a doutora Nise da Silveira criou o Serviço de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Pedro II, no Engenho de Dentro, os mais recentes avanços da psiquiatria mundial ainda eram a lobotomia e o eletro choque. O Museu do Inconsciente é fundado por Nise seis anos depois, em 1952, e desde então tem funcionado como um auxílio na compreensão dos mitos escondidos na psique dos doentes que passam pelo hospital, desse modo ajudando o terapeuta a chegar a uma melhor interpretação das emoções dos esquizofrênicos.
    O museu exibe o fruto das oficinas que a médica criou para estimular a criatividade dos pacientes e reúne aproximadamente 350 mil obras em seu acervo (telas, desenhos, pinturas sobre papel e esculturas), funcionando também como um centro de estudos.



sábado, 18 de junho de 2011

TRASTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE

   O transtorno de personalidade Borderline vem sendo abordado como uma psicopatologia moderna, sendo inserida no DSM - lV- Manual de Diagnostico e Estatística das Doenças Mentais (1980) e no CID - 10 - Classificação Internacional de Doenças e Problemas relacionados com a saúde (1992). Ao longo do tempo, variações conceituais foram sendo desenvolvidas desde as definidas por Philippe Pinel, que relatou um sério distúrbio de comportamento, que chamou de “mania sem delírio”. (BEDANI, 2002).
    A definição do Transtorno de Personalidade Borderline é caracterizada por um padrão difuso de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, auto- imagem, afetos e acentuada impulsividade, começando no inicio da idade adulta e presente em uma variedade de contextos. É um transtorno que traz sérias conseqüências para a pessoa, seus familiares e seus amigos próximos. O termo "fronteiriço" se refere ao limite entre um estado normal e um quase psicótico, assim como às instabilidades de humor.
    São indivíduos sujeitos a acessos de ira e verdadeiros ataques de fúria ou de mau gênio, em completa inadequação ao estímulo desencadeante. Essas crises de fúria e agressividade acontecem de forma inesperada, intempestivamente e, habitualmente, têm por alvo pessoas do convívio mais íntimo, como os pais, irmãos, familiares, amigos, namoradas, cônjuges, etc. Embora o Borderline mantenha condutas até bastante adequadas em grande número de situações, ele tropeça escandalosamente em certas situações triviais e simples. O limiar de tolerância às frustrações é extremamente susceptível nessas pessoas.
    Esses indivíduos são muito sensíveis às circunstâncias ambientais e o intenso temor de abandono, mesmo diante de uma separação exigida pelo cotidiano e por tempo limitado, são muito mal vivenciadas pelo Borderline. Esse medo do abandono está relacionado a uma grande intolerância à solidão e à necessidade de ter outras pessoas consigo. Seus esforços frenéticos para evitar o abandono podem incluir ações impulsivas, tais como comportamentos de automutilação ou ameaças de suicídio.
    A tendência a alguma forma de adição, como o álcool, remédios, drogas, ou mesmo o trabalho desenfreado, o sexo insistentemente perseguido, o esporte, alguma crença, etc., refletem uma busca desenfreada de "um algo mais" que lhe complete e lhe dê sossego.
    Como estrutura fronteiriça entre a neurose e a psicose, o transtorno de personalidade Borderline tende a desfilar inúmeros sintomas, muitas vezes opostos entre si sob o ponto de vista das hipóteses diagnosticas, levando à incerteza e abordagens equivocadas tanto na intervenção psicoterapêutica como nas prescrições medicamentosas.
    A busca da compreensão, parte das diferentes nomenclaturas e discussões de teóricos sobre o tema, para um diagnóstico preciso. Pois, um diagnostico impreciso pode influir drasticamente na adequação das intervenções, bem como em ultima análise, na duração e na intensidade do sofrimento do paciente.
    O filme "Garota Interrompida" mostra algumas dessas caracteristicas.

   

BULLYING

  Bullying é toda violência que ocorre em território escolar. Para ser bullying esta violência tem que ser intencional e repetitiva, no mínimo três vezes, e a pessoa que sofre, a vítima, ela tem que estar sempre em uma situação desfavorável para fazer frente a essa agressão. As agressões são difíceis de detectar.
   90% das crianças que sofrem bullying não falam para os pais, por que ficam com medo de retaliações dos agressores e poupam os pais da decepção de ter um filho frágil e covarde.




TRATAMENTO PSICOLÓGICO PARA SURDOS

   
    Existirem pacientes surdos que necessitam de atendimento psicológico e, na maioria das vezes, os psicólogos se encontram totalmente despreparados para realizar esse tipo de atendimento. Um intérprete não é muito aconselhado já que a ida ao psicólogo é um momento em que as pessoas expõem sua vida pessoal e com certeza o paciente não se sentiriam a vontade com uma terceira na terapia.
   Por isso é importante o profissional se qualificar para atender a população em geral. Para atender um paciente surdo é importante fazer um curso de Libras, pois a possibilidade de comunicação proporciona um contato próximo com o paciente, facilitando a reflexão sobre o contexto social no qual se insere: suas dificuldades, seus anseios e angústias.

O ESTÁGIO DO ESPELHO JACQUES LACAN


    Corresponde à fase da formação da identidade, que se dá entre os seis e os dezoito meses de idade, quando a criança encontra e reconhece a sua imagem especular. A criança antecipa o domínio sobre a sua unidade corporal através de uma identificação com a imagem do semelhante e da percepção de sua própria imagem no espelho. Considera-se esta fase como um primeiro esboço do que será o Eu do indivíduo.
    Segundo Lacan a fase do espelho processa-se em três fases fundamentais:
    Em um primeiro momento, o bebê percebe seu reflexo no espelho, como se fosse um outro ser real, do qual procura aproximar-se ou apoderar-se. Esta imagem é, para ele, outra pessoa que é procurada atrás do espelho.
    Em uma segunda fase, a criança percebe que o outro do espelho não é um ser real, que não passa de uma imagem e, por isso, ela não vai mais procurá-lo atrás do espelho.
    A terceira fase consiste no fato de a criança já saber que o refletido no espelho é apenas uma imagem dela própria. Nessa ocasião, ela gosta de brincar com os movimentos do seu próprio corpo no espelho.

PSICOLOGIA TRANSPESSOAL

    A psicologia transpessoal é uma abordagem da Psicologia, considerada por Abraham Maslow (1908-1970) como a "quarta força", sendo a primeira força a psicanálise, seguida do omportamentalismo, e do humanismo.
    O termo transpessoal significa “além do pessoal” ou “além da personalidade”. Utiliza-se esse termo porque a psicologia transpessoal ocupa-se de capacidades humanas que estão além da esfera do ego. A abordagem transpessoal procura integrar em sua visão todo o potencial humano que está ainda por desenvolver. Essas capacidades potenciais estão relacionadas à existência de estados superiores de consciência, ainda desconhecidas para a maior parte da humanidade. O caminho para atingir esses estados é o caminho da autotranscendência, ou superação do ego individual.

ESQUIZOFRENIA


    É uma doença mental que se caracteriza por uma desorganização ampla dos processos mentais. É um quadro complexo apresentando sinais e sintomas na área do pensamento, percepção e emoções, causando prejuízos na vida de relações interpessoais e familiares. 
    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é a terceira causa de perda da qualidade de vida entre os 15 e 44 anos, considerando-se todas as doenças.
   A família que tem um de seus componentes diagnosticados por esse transtorno tem uma grande dificuldade de aceitação, pois a esquizofrenia, assim como outros transtornos, é cercada de muitos preconceitos. Crenças como “as pessoas com esquizofrenia são violentas e imprevisíveis”, “elas são culpadas pela doença”, “elas têm dupla personalidade”, “elas precisam permanecer internadas”, ainda são muito comuns em nossa sociedade.


COACHING

     É uma ferramenta utilizada para desenvolver pessoas, dentro de suas especialidades.
    É um processo de treinamento realizado em empresas, por qualquer profissional graduado que tenha se especializado no assunto.
    O coaching é baseado na teoria cognitiva, tem seu foco no futuro, no que “eu” quero no que a minha empresa espera de mim. Nesse processo nada é interpretado, o profissional não diz o que a pessoa deve fazer é a própria pessoa quem vai obter as suas respostas.
    O coaching ajuda as pessoas a transitar no caos, visando uma mudança de comportamento.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Em Busca de Sentido


 “O amor é a única maneira de capacitar outro ser humano no intimo da sua personalidade. Ninguém consegue ter consciência plena de essência ultima de outro ser humano sem amá-lo. Além disso, através do seu amor a pessoa que ama capacita à pessoa amada a realizar essas potencialidades. Concientizando-a do que ela pode ser e do que essas potencialidades venham a se realizar.” Viktor Frankl.

Em Busca de Sentido

Em Busca de Sentido é um livro de Viktor Frankl de 1946, Em Busca de Sentido (título original: Ein Psycholog erlebt das Konzentrationslager) retrata suas experiências como um detento de um campo de concentração e descreve seu método psicoterapêutico de como encontrar uma razão para viver. De acordo com Frankl, o livro tenta responder a pergunta "Como a vida cotidiana dentro de um campo de concentração se reflete na mente de um prisioneiro mediano?". A primeira sessão do livro constitui as experiências de Frankl nos campos de concentração, enquanto que a segunda metade é uma introdução à Logoterapia.

Conceitos Fundamentais da Logoterapia (segunda metade teoria)

Viktor Frankel explica sobre sua teoria neste livro. O termo logos é uma palavra grega e significa sentido. Consiste na existência da pessoa,bem como a busca da pessoa por esse sentido.Para a Logoterapia , a busca do sentido na vida da pessoa é a principal força motivadora no ser humano.
  
A Vontade de sentido

A busca do individuo por um sentido é a motivação primária em sua vida, e não uma “racionalização secundaria” de impulso instintivo. O que acontece, porém, é que o ser humano é capaz de viver e até de morrer por seus ideais e valores. O desmascaramento, entretanto, deveria cessar no momento em que nos deparamos com o que é autentico e genuíno na pessoa.

Frustração existencial

A existência em si mesmo, isto é ao modo especificamente humano de ser, ao sentido da existência, à busca por sentido por um sentido concreto na existência pessoal, ou seja, à vontade de sentido. As neuroses noogenicas têm sua origem não na dimensão psicológica, mas antes na dimensão “noológica” (do termo grego noos que significa “mente”).
Neurose noognicas.
Neuroses noogenicas surgem de problemas existenciais. Entre esses problemas , a frustração da vontade de sentido desempenha pape central.A frustração existencial em si mesma não é patológica nem patogênica.A preocupação ou mesmo o desespero da pessoa sobre se a sua vida vale a pena ser vivida é uma angustia existencial mas de forma alguma uma doença mental.
A Logoterapia considera sua tarefa o paciente a encontrar sentido em sua vida. Na medida em que a logoterapia o conscientize do logos oculto de sua existência trata-se de um processo analítico.
A muita sabedoria nas palavras de Nirtzsche: ”Quem tem por que viver suporta quase qualquer como”. O se humano precisa não de homeostase, mas  chamo de “noodinâmica”, isto é , da dinâmica existencial num campo polarizado de tensão,onde um pólo esta representado por um sentido a ser realizado e o outro pólo,pela pessoa que deve realiza-lo.

O vazio existêncial

O vazio existencial é um fenômeno muito difundido no século XX. O vazio existencial manifesta-se principalmente num estado de tédio.Schopenhauer disse que,aparentemente a humanidade estava fadada a oscilar eternamente entre os dois extremos de angústia e tédio.E esses problemas estão se tornando mais agudos, uma vez que o crescente processo de automação provavelmente conduzira a um aumento enorme das horas de lazer do trabalhador médio.As frustrações as vezes se da pelo sentido vicariamente compensada por vontade do poder em outros casos o sentido da frustração se da pela vontade de prazer.

O Sentido da vida

O sentido da vida difere de pessoa para pessoa de um dia para outro. Cada qual tem sua própria vocação ou missão especifica na vida, cada uma precisa executar uma tarefa concreta na vida.

A essência da existência

“Viva como já estivesse vivido pela segunda vez, e como se na primeira vez você tivesse agido tão errado como está errado prestes a agir agora”. Semelhante preceito confronta-a com a finitude da vida e com o caráter irrevogável (finality) daquilo que faz de sua vida e de si mesma. O Logoterapeuta é dentre todos os psicoterapeutas, o que menos se vê tentado a impor julgamento de valor a seus pacientes. O papel do logoterapeuta consiste em ampliar e alargar o campo visual do paciente de modo que todo o espectro de sentido em potencial se torne consciente e visível para ele. O ser humano é uma criatura responsável e precisa realizar o sentido potencial de sua vida quero salientar que o verdadeiro sentido da vida deve ser descoberto no mundo, e não dentro da pessoa humana ou sua psique, como se fosse um sistema fechado.Viktor Frankel chamou esta característica  constitutiva  de a “autotranscendencia da existência humana”.Ela denota o fato de que o ser humano sempre aponta e se dirige para algo ou alguém diferente de si mesmo - seja um sentido a realizar ou outro ser humano a encontrar.A segunda maneira de encontrar o sentido na vida é experimentar algo como:a bondade,a verdade e a belezas.Experimentando a natureza e a cultura e ou ainda experimentando outro ser humano em sua originalidade única, amando-o.

O sentido do sofrimento


Nós podemos também transformar uma tragédia pessoal num triunfo, em converter nosso sofrimento numa conquista humana. Quando já não somos capazes de mudar uma situação. Sofrimento de certo modo deixa de ser sofrimento no instante em que  encontra um sentido,como o sentido de um sacrifício.Sofrer desnecessariamente é ser masoquista e não heróico.
O supra-sentido

O que se requer da pessoa não é aquilo que alguns filósofos existenciais ensinam, ou seja, suportar a falta de sentido da vida; o que se propões é, antes, suportar a incapacidade de compreender em termos racionais, o fato de que a vida tem um sentido incondicional. O logos é mais profundo do que a lógica.

A transitoriedade da vida

Entre as coisas que parecem tirar o sentido da vida humana estão não apenas o sofrimento, mas também a morte.
Não a duvida de que geralmente a pessoa somente leva em conta o campo de estolhos da transitoriedade e se esquecem dos abarrotados celeiros do passado, onde ela guardou, de uma vez por todas, seus atos, suas alegrias e também seus sofrimentos. Nada pode ser desfeito, nada pode ser eliminado, eu diria que ter sido é a mais segura forma de ser.

Logoterapia como técnica

Hiperintenção é intenção excessiva, o prazer é e deve permanecer efeito colateral ou produto secundário, ele será anulado e comprometido à medida que dele se fizer um objeto em si mesmo. A intenção execessiva também a atenção excessiva, ou “hiper-reflexão” como é chamada na logoterapia, pode ser patogênico (ou seja, pode levar a doença). A logoterapia baseia sua técnica denominada “intenção paradoxal” no fato duplo de que o medo produz aquilo de que temos medo e de que intenção excessiva impossibilita o que desejamos. Essa capacidade básica da pessoa distanciar-se de si mesma entra em ação sempre que se aplica a técnica logotérapica chamada “intenção paradoxal”. Ao mesmo tempo, o paciente é capacitado a se colocar numa posição distanciada de sua própria neurose.

A neurose coletiva

Cada época tem sua própria neurose coletiva, e cada época necessita de sua própria psicoterapia para enfrentá-la. O vazio existencial, que é a neurose em massa da atualidade, pode ser descrito como forma privada e pessoal de niilismo; o niilismo, por sua vez, pode ser definido como a posição que diz não ter sentido o ser. Perigo inerente na doutrina do “nada mais que “ aplicado à pessoa; a teoria de condicionantes ideológicos,psicológicos e sociológicos, ou produto da hereditarieda e do meio ambiente.

Critica do pandeterminismo

Perigoso é chamado de “pandeterminismo”. O ser humano não é completamente condicionado e determinado; ele mesmo determina se cede aos condicionantes ou se lhes resiste.Isto é, o ser humano é autodeterminante,em última análise.Ele não simplesmente existe,mas sempre decide qual será sua existência, o que ele se tornara no momento seguinte..O ser humano é capaz de mudar o mundo para melhor, se possível, e de mudar a si mesmo para melhor,se necessário.

O credo psiquiátrico

Um individu incrusialmente psicótico pode perder sua utilidade, mas conservar a dignidade de um ser humano. Esse é meu credo psiquiátrico.

Reumanizando a psiquiatria

O que está despontando agora no horizonte não são os contornos de uma medicina psicologizada, mas, antes de uma psiquiatria humanizada.
O ser humano tem dentro de si ambas as potencialidades; qual será concretizada depende de decisões e não de condições.
 
Reflexão.
Esta leitura foi muito importante por que agregou para nós mais conhecimento e acrecentou novas técnicas, para futuramente poder ajudar nossos pacientes.Cada ser é um ser diferente.
 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Representações

    Numa sociedade, um indivíduo é o ator e representa papéis de acordo com o momento, com o “público”, e com o cenário que está. Quando isso ocorre, necessita-se que o público acredite no que pretende passar o ator. O individuo faz sua representação e dá seu espetáculo para “beneficio de outros”. Quando ocorre do próprio ator não acreditar no que faz ele é chamado de “cínico” e quando ele está convencido de seu ato é chamado de “sincero”. O ator pode estar inteiramente compenetrado de seu próprio numero. Pode estar inteiramente compenetrado de seu próprio numero. Pode estar sinceramente convencido de que a impressão de realidade que se encena é a verdadeira realidade. Quando seu publico está também convencido deste modo a respeito do espetáculo que o ator encena então, pelo menos no momento, somente o sociólogo ou uma pessoa socialmente descontente terão duvidas sobre a “realidade” do que é apresentado. O ator pode não estar completamente compenetrado de sua própria pratica. Ele pode ser levado a dirigir a convicção de seu publico apenas como um meio para outros fins, não tendo interesse final na idéia que fazem dele ou da situação.
    Numa representação, a fachada é um componente importante, pois, por exemplo, quando um ator representa algo num cenário, não conseguirá convencer um público, com essa mesma representação em outro cenário; além dessa fachada (ambiente), há a fachada pessoal (vestuário, sexo, idade, etc.) que é conveniente se dividir em aparência (estímulos que revelam o status social do ator) e maneira (estímulo que serve para nos informar sobre o papel que o ator deseja representar); espera-se que haja uma compatibilidade entre esses estímulos, porém podem se contradizer, uma à outra. Portanto, fachada é o equipamento expressivo de tipo padronizado intencional ou inconscientemente empregado pelo individuo durante sua representação. O cenário tende a permanecer na mesma posição, geograficamente falando, de modo que aqueles que usem determinado cenário como parte de sua representação não possam começar a atuação ate que se tenham colocado no lugar adequado e devam terminar a representação ao deixá-lo.
    Dividem-se os estímulos que formam a fachada pessoal em “aparência” e “maneira”, de acordo com a função exercida pela informação que esses estímulos transmitem. Chama-se de “aparência” aqueles estímulos que funcionam no momento para nos revelar o status social do ator, isto é, se ele está empenhado numa atividade social formal, trabalho ou recreação informal, se está realizando, ou não, uma nova fase no ciclo das estações ou no seu ciclo de vida. Já “maneira”, são os estímulos que funcionam no momento para nos informar sobre o papel de interação que o ator espera desempenhar na situação que se aproxima. Então “aparência” e “maneira” podem se contradizer uma à outra, como acontece quando um ator que parece ser de posição mais elevada que sua platéia age de maneira inesperadamente igualitária, intima ou humilde, ou quando um ator vestido com o traje de uma alta posição se apresenta a um individuo de condição ainda mais elevada.
    Para mostrar algumas coisas que podem passar despercebidas, o ator usa sinais no momento da atuação. “A representação é “socializada”, moldada e modificada para se ajustar à compreensão e às expectativas da sociedade em que é apresentada”. De fato pode-se exigir que o ator não somente expresse suas pretensas qualidades durante a interação, mas também que o faça durante uma fração de segundo na interação. No caso de alguns status sociais a dramatização não apresenta problemas, pois alguns dos números instrumentalmente essenciais para completar a tarefa central do status são, ao mesmo tempo, maravilhosamente adaptados, do ponto de vista da comunicação, como meios de transmitir vividamente as qualidades e atributos pretendidos pelo ator.
    Os atores tendem a oferecer ao público uma impressão que é idealizada de maneiras diferentes. Na medida em que uma representação ressalta os valores oficiais comuns da sociedade em que se processa, podemos considerá-la, à maneira de Durkheim e Radcliffe-Brown, como uma cerimônia, um rejuvenescimento e reafirmação expressivos dos valores morais da comunidade. Na maioria das sociedades parece haver um sistema principal ou geral de estratificação e em muitas sociedades estratificadas existe a idealização dos estratos superiores e certa aspiração, por parte dos que ocupam posições inferiores, de ascender às mais elevadas. Habitualmente a mobilidade ascendente implica na representação de desempenhos adequados e que os esforços para subir e para evitar descer exprimem-se em termos dos sacrifícios feitos para a manutenção da fachada. A peça, talvez, mais importante do equipamento de sinais associado à classe social consistia nos símbolos do status, mediante os quais se exprime a riqueza material. De fato muitas classes de pessoas tiveram muitas razoes diferentes para praticar sistematicamente a modéstia e desprezar qualquer expressão de riqueza, capacidade, força espiritual ou respeito para consigo mesmo. Se um individuo tem de dar expressão a padrões ideais na representação, então terá de abandonar ou esconder ações que não sejam compatíveis como eles. Ao fazer uma representação, um ator esconde prazeres e sua condição financeira.
    Como o público muda, garante-se ao indivíduo que ele não representará papéis para as mesmas pessoas. Pode ocorrer de o ator ser mal interpretado pelo público, este dando ênfase a “gestos” que não eram significativos para o ator. Uma realidade causada por uma representação é muito delicada, e qualquer contratempo pode quebrá-la. O público, também, corre o risco de ser enganado pelo ator; o indivíduo que mente uma vez terá seus atos desacreditados, contestados sempre, podendo ter sua dignidade destruída.


                                                                 Texto do livro: A REPRESENTAÇÃO DO EU NA VIDA COTIDIANA  
                                                                                 – CAPITULO 1 – Representações. ERVING GOFFMAN.
                                                                            

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Evgen Bavcar

   Evgen Bavcar nunca viu um de seus trabalhos, conhece-os através de descrições. Seu mundo criativo de sombras, luz e sobreposições inusitadas desafia em polêmica o conceito de fotografia, segundo Evgen: "[ela] não é exclusividade de quem pode enxergar. Nós também construímos imagens interiores". Bavcar é cego desde os 12 anos e ainda na adolescência descobriu a fotografia. Desde então, com o auxilio da irmã mais velha, desenvolveu técnicas de captura de imagens como o alto contraste - composição da luz em lugares totalmente escuros -, o uso de sinos e do toque.





Identidade, Subjetividade e Singularidade


    
A partir da nossa IDENTIDADE, nos caracterizamos e nos tornamos uma pessoa, passamos a ter nome, idade, estado, profissão, sexo, etc. A IDENTIDADE, está ligada a algum tipo de reconhecimento, seja individual ou coletivo de um quadro de referências que identifiquem o indivíduo (nome, idade, etc).
    Nossa SUBJETIVIDADE nos particulariza, nos torna individuais e pessoais. Está ligada a possibilidade de viver a existência de forma única, no entrecruzamento de diversos vetores de subjetivação.
    Mas é através da SINGULARIDADE que nos tornamos particulares, distintos, singulares e específicos, capazes de nos salientarmos uns dos outros. A SINGULARIDADE é única, singular, peculiar a um só indivíduo. Serve para nos identificar, dizer quem somos e nos diferenciar dos demais.Ela nos qualifica como singulares.

Um amador da Natureza: Chefe Seattle


   Em 1854, "O Grande Chefe Branco" em Washington fez uma oferta por uma grande área de território indígena e prometeu uma "reserva" para os índios.
   A resposta do Chefe Seattle, tem sido considerada uma das declarações mais belas e profundas já feitas sobre o meio-ambiente:

“Como você pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? A idéia é estranha para nós.
Se nós não somos donos da frescura do ar e do brilho da água, como você pode comprá-los?
Cada parte da Terra é sagrada para o meu povo.
Cada pinha brilhante, cada praia de areia, cada névoa nas florestas escuras, cada inseto transparente, zumbindo, é sagrado na memória e na experiência de meu povo.
A energia que flui pelas árvores traz consigo a memória e a experiência do meu povo.
A energia que flui pelas árvores traz consigo as memórias do homem vermelho.
Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quando vão caminhar entre as estrelas.
Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra, pois ela é a mãe do homem vermelho.
Somos parte da Terra e ela é parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs, os cervos, o cavalo, a grande águia, estes são nossos irmãos.
Os picos rochosos, as seivas nas campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, todos pertencem à mesma família.
Assim, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que  quer comprar nossa terra, ele pede muito de nós.
O Grande Chefe manda dizer que reservará para nós um lugar onde poderemos viver confortavelmente.
Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos.
Então vamos considerar sua oferta de comprar a terra.
Mas não vai ser fácil.
Pois esta terra é sagrada para nós.
A água brilhante que se move nos riachos e rios não é simplesmente água, mas o sangue de nossos ancestrais.
Se vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é o sangue sagrado de nossos ancestrais.
Se nós vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é sagrada, e vocês devem ensinar a seus filhos que ela é sagrada e que cada reflexo do além na água clara dos lagos fala de coisas da vida de meu povo.
O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai.
Os rios nossos irmãos saciam nossa sede.
Os rios levam nossas canoas e alimentam nossas crianças.
Se vendermos nossa terra para vocês, vocês devem lembrar-se de ensinar a seus filhos que os rios são irmãos nossos, e de vocês,  e consequentemente vocês devem ter para com os rios o mesmo carinho que têm para com seus irmãos.
Nós sabemos que o homem branco não entende nossas maneiras.
Para ele um pedaço de terra é igual ao outro, pois ele é um estranho que chega à noite e tira da terra tudo o que precisa.
A Terra não é seu irmão, mas seu inimigo e quando ele o vence,  segue
em frente.
Ele
deixa para trás os túmulos de seus pais, e não se importa.
Ele seqüestra a Terra de seus filhos, e não se importa.
O túmulo de seu pai, e o direito de primogenitura de seus filhos são esquecidos.
Ele ameaça sua mãe, a Terra, e seu irmão, do mesmo modo, como coisas que comprou, roubou, vendeu como carneiros ou contas brilhantes.
Seu apetite devorará a Terra e deixará atrás de si apenas um deserto.
Não sei.
Nossas maneiras são diferentes das suas.
A visão de suas cidades aflige os olhos do homem vermelho.
Mas talvez seja porque o homem vermelho é selvagem e não entende.
Não existe lugar tranqüilo nas cidades do homem branco.
Não há onde se possa escutar o abrir das folhas na primavera, ou o ruído das asas de um inseto.
Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não entendo.
A confusão parece servir apenas para insultar os ouvidos.
E o que é a vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de um curiango ou as conversas dos sapos, à noite, em volta de uma lagoa.
Sou um homem vermelho e não entendo.
O índio prefere o som macio do vento lançando-se sobre a face do lago, e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva de meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo hálito – a fera, a árvore, o homem,  todos compartilham o mesmo hálito.
O homem branco parece não perceber o ar que respira.
Como um moribundo há dias esperando a morte, ele é insensível ao mau cheiro.
Mas se vendermos nossa terra, vocês devem se lembrar de que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seus espíritos com toda a vida que ele sustenta.
Mas se vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la separada e sagrada,  como um lugar onde mesmo o homem branco pode ir para sentir o vento que é adoçado pelas flores da campina.
Assim, vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra.
Se resolvermos aceitar, eu imporei uma condição – o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e não entendo de outra forma.
Vi mil búfalos apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os matou da janela de um trem que passava.
Sou um selvagem e não entendo como o cavalo de ferro que fuma pode se tornar mais importante que o búfalo, que nós só matamos para ficarmos vivos.
O que é o homem sem os animais?
Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão do espírito.
Pois tudo o que acontece aos animais, logo acontece ao homem.
Todas as coisas estão ligadas.
Vocês devem ensinar a seus filhos que o chão sob seus pés é as cinzas de nossos avós.
Para que eles respeitem a terra, digam a seus filhos que a Terra é rica com as vidas de nossos parentes.
Ensinem as seus filhos o que ensinamos aos nossos,  que a Terra é nossa mãe.
Tudo o que acontece à Terra, acontece aos filhos da Terra.
Se os homens cospem no chão, eles cospem em si mesmos.
Isto nós sabemos – a Terra não pertence ao homem – o homem pertence à Terra.
Isto nós sabemos.
Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família.
Todas as coisas estão ligadas.
Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra.
O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela.
O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus anda e fala com ele como de amigo para amigo, não pode ficar isento do destino comum.
Podemos ser irmãos, afinal de contas.
Veremos.
De uma coisa nós sabemos, que o homem branco pode um dia descobrir – nosso Deus é o mesmo Deus.
Vocês podem pensar agora que vocês O possuem como desejam possuir nossa terra, mas vocês não podem fazê-lo.
Ele é Deus do homem, e Sua compaixão é igual tanto para com o homem vermelho quanto para com o branco.
A Terra é preciosa para Ele, e danificar a Terra é acumular desprezo por seu criador.
Os brancos também passarão, talvez antes de todas as outras tribos.
Mas em seu desaparecimento vocês brilharão com intensidade, queimados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e para algum propósito especial lhes deu domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho.
Esse destino é um mistério para nós, pois não entendemos quando os búfalos são mortos, os cavalos selvagens são domados, os recantos secretos da floresta carregados pelo cheiro de muitos homens, e a vista das montanhas maduras manchadas por fios que falam.
Onde está o bosque?
Acabou.
Onde está a águia?
Acabou.
O fim dos vivos e o começo da sobrevivência.”

As Três Ecologias

    O autor inicia o livro narrando sobre as intensas transformações técnico-científicas do Planeta Terra que está gerando conseqüências preocupantes para todos os seguimentos da sociedade e acabam por desencadear fenômenos de desequilíbrios ecológicos. Ao mesmo tempo, como citado pelo autor, os modos de vidas individuais e coletivos se encaminham para uma padronização dos comportamentos, além de que “a vida doméstica vem sendo gangrenada pelo consumo da mídia”.
    O livro apresenta uma proposta que se revela cada vez mais pertinente e atual à nossa sociedade: o autor nos sugere uma reinvenção dos modos de ser coletivos. Em um momento em que há um verdadeiro colapso das relações humanas, sua “ecosofia” é muito bem-vinda. Ela consiste numa nova maneira do homem pensar sua relação com o meio ambiente, com sua sociedade e até mesmo com sua subjetividade.
    O livro como um todo é um apelo ao pensar, numa tentativa de devolver à humanidade sua condição de ser integrado ao mundo, e não fragmentado e isolado como hoje nos é apresentado tanto pelo estilo de vida capitalista quanto pelas teorias pós-modernistas. As Três Ecologias nos estimula a questionar todas as esferas sociais, segundo o próprio Guattari, a “reinventar maneiras de ser no seio do casal, da família, do contexto urbano, do trabalho, etc.”

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Psicologia Newtoniana

    A semelhança da biologia e da medicina, a psicologia foi moldada pelo paradigma cartesiano. Os psicólogos adotaram métodos de estudos da psiquiatria humana. Estudaram a mente através da introspecção e tentaram analisar a consciência.
    Uma das grandes figuras nesse campo é Sigmund Freud, que usou um método livre para desenvolver a psicanálise. Embora isso fosse revolucionário na época, seus conceitos básicos eram de natureza newtoniana.  As três principais correntes do pensamento no século XX, se basearam no paradigma cartesiano e em conceitos newtonianos da realidade.
    Quando a psicologia virou ciência no século XIX, vindo de filosofias da antiguidade grega, produziu teorias psicológicas sérias, que estão sendo reconhecidas como uma concepção estrita e culturalmente condicionada.
    As especulações psicológicas dos antigos filósofos gregos revelam também fortes influências orientais (indianas e chinesas), que os gregos assimilaram. Sócrates usou a palavra “psique”, como sede de inteligência e caráter.
    Uma das mais poderosas e influentes imagens da psique encontra-se na Filosofia de Platão. No Fedro, a alma é descrita como um auriga conduzindo dois cavalos: um representa as paixões do corpo e o outro, as emoções superiores. Essa é uma metáfora que engloba as duas abordagens da consciência - a biologia e a espiritual - gerando um problema “mente – corpo”, que se refletisse em muitas escolas de Psicologia.
    Mas foi no século XVII que esse problema formou, moldou o desenvolvimento da psicologia científica ocidental. Segundo Descartes, mente e corpo pertenciam a dois domínios paralelos, diferentes. O corpo era governado por leis mecânicas, mas a mente era livre e imortal.
    A clareza de conceitos que desempenharam um papel tão importante na filosofia e na ciência de Descartes, não era derivada do confuso desempenho dos sentidos.
    O paradigma cartesiano forneceu inspiração e desafio para dois filósofos de século XVII, Baruch Spinoza e Gottfried Leibniz. Spinoza não aceitou o dualismo de Descartes por algo místico. Enquanto Leibniz introduziu a idéia de um número infinito de substâncias, unidades do organismo de natureza psíquica e alma humana ficavam em uma posição especial. Não existe interação entre corpo e mente.  Mas os filósofos mesmo assim, voltaram-se para o paradigma mecanicista de Descartes.
    A psicologia moderna foi o resultado dos avanços em anatomia e fisiologia no século XIX. Estudos feitos sobre o cérebro e sistema nervoso, estabeleceram relações específicas entre funções mentais e estruturas cerebrais.
    Mas depois de muitos anos, já no século XX, a psicologia realizou grandes progressos e adquiriu muito prestígio. Beneficiou-se da cooperação com outras disciplinas – biologia, medicina, estatística, cibernética e à teoria da comunicação – e encontrou importantes aplicações á saúde, educação, indústria, áreas da atividade humana prática.  Durante as primeiras décadas do século, o pensamento psicológico foi dominado por duas escolas: o behaviorismo e a psicanálise.
O behaviorismo é a culminação da abordagem mecanicista em psicologia, eles criaram uma “psicologia sem alma”, uma versão da máquina humana de La Mettire. Os organismos vivos eram máquinas complexas que reagiam a estímulos externos e esse mecanismo de estímulo-resposta teve por modelo, a física Newtoniana.
Já a psicanálise, não se originou na psicologia, mas proveio da psiquiatria, que na época era um ramo da medicina. Os psiquiatras estavam totalmente comprometidos com o modelo biomédico e apontavam causas orgânicas em todas as perturbações mentais.
    Mas uma fase decisiva nessa evolução foi atingida durante o último quartel no século XIX, quando Jean-Martins Charcot usou com êxito a hipnose para o tratamento da histeria. Ele libertava as pessoas desse sintoma e esses sintomas podiam voltar, pelo mesmo método. Freud se interessou tanto por esse assunto que iniciou o uso da técnica hipnótica para tratar pacientes neuróticos. A contribuição de Freud foi fantástica, considerando-se o estágio em que se encontrava a psiquiatria do seu tempo.
Desde os primeiros anos de suas explorações psicanalíticas até o fim de sua vida, Freud se preocupou em fazer da psicanálise uma disciplina científica. Embora fosse o introdutor da abordagem psicológica da psiquiatria, ele manteve-se sob a influência do modelo biomédico, na teoria e na prática.
Assim continuou ele sua exortação aos psicanalistas: “Eles se contentam com fragmentos de conhecimento e com hipóteses básicas que carecem de precisão e estão sempre sujeitas a revisão. Em vez de aguardarem o momento em que estarão aptos a escapar do espartilho das leis conhecidas da física e da química, eles esperam o surgimento de leis naturais mais extensivas e de alcance mais profundo, ás quais estão prontos a submeter-se”.
A teoria clássica da psicanálise foi o brilhante resultado das tentativas por parte de Freud de integração de suas muitas revolucionárias descobertas e idéias em uma estrutura conceitual coerente e sistemática que satisfizesse aos critérios da ciência do seu tempo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

   
    O pensamento cartesiano elabora a sua percepção mecanicamente, como um relógio onde é possível reduzir ao monte de peças e analizando cada parte é possivel entender o todo. A cientista crítica dizendo que essa idéia é antiga e ultrapassada e que devemos mudar essa visão de mundo.
    O paradigma cartesiano teve influência sobre o pensamento médico, no que hoje chamamos de modelo biomédico.  Nesse modelo biomédico o corpo humano é visto como uma máquina que deve ser analisada em termos de suas peças e a doença é vista em termos do biológico, negligenciando assim qualquer aspecto emocional e social. Essa é uma concepção reducionista, já que considera o biológico como o único caminho para melhorar a saúde, ignorando qualquer inter-relação entre corpo e mente. É preciso compreender que o modelo biomédico é importante, porém só chegaremos a uma compreensão completa da vida através de uma ciência que veja o organismo como um sistema vivo e não como uma máquina.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Saúde Mental...


    O psicanalista Rubem Alves, ao preparar uma palestra sobre Saúde Mental, começou seu pensamento fazendo uma lista de pessoas que, do ponto de vista dele, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimentos para a alma - Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. Entretanto logo se assustou, pois, Nietzsche ficou louco; Fernando Pessoa era dado à bebida; Van Gogh matou-se; Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve, pois não suportava mais viver com tanta angústia; Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica; e Maiakovski suicidou-se. Essas pessoas tão brilhantes e profundas, diante do objeto Saúde Mental como sendo a condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado, não passariam em nenhum teste psicológico que medisse a saúde mental. Eram lúcidas demais para isso. Sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata e sendo donos do poder, os loucos passar a ser os protótipos da saúde mental.
    Somos muito parecidos com computadores, continua Rubem Alves, temos nosso hardware que são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso e, o software constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória, como os símbolos, entidades que poderíamos chamar de espirituais, sendo que o programa mais importante é a linguagem. Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou no software e as pessoas também. Quando o hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis a consertar o que se estragou. Quando o problema está no software não se conserta o problema com bisturis ou remédios, porque o software é feito de símbolos, as ferramentas deverão ser as palavras e elas podem vir de poetas, humanistas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas. Mas nesse computador humano o hardware, o corpo, é sensível às coisas que o software, espírito, produz. E, então, a explicação com o que aconteceu com as pessoas citadas no princípio: a música que saia de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou. Então, deduz-se que para se ter saúde mental até o fim dos dias há de se OPTAR POR UM SOFTWARE MODESTO. A beleza é perigosa para o hardware, não ouça Brahms e Mahler, mas rock à vontade. Quanto às leituras, evite as que fazem pensar. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago? Jornais podem ser lidos diariamente já que publicam sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes e assim o software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se poderá esquecer de Sílvio Santos, Faustão e Gugu Liberato. Siga esta receita, diz Rubem Alves e terá uma vida tranqüila, embora banal. Mas como foi cultivada a insensibilidade não se perceberá a tal banalidade. Assim, em vez de ter o fim triste das pessoas mencionadas no início deste texto, se aposentará, então, para realizar os seus sonhos. Infelizmente, conclui o autor, quando chegar tal momento, já se terá esquecido como eles eram.

Psicologia...

Psicologia é o estudo da mente e do comportamento. Historicamente, a psicologia era uma área da filosofia é agora uma disciplina cientifica distinta consistindo de diversos ramos de pesquisa importantes (p. ex., psicologia experimental, psicologia cognitiva, psicologia do desenvolvimento, personalidade e psicologia social), bem como diversos subáreas de pesquisa e psicologia aplicada (p.ex. psicologia clinica, psicologia industrial/organizacional, psicologia escolar e educacional, fatores humanos, psicologia da saúde, neuropsicologia, psicologia transcultural). A pesquisa em psicologia envolve observação, experimentação, testagem e análise para explorar os processos ou estímulos biológicos, cognitivos, emocionais, pessoais, sociais subjacentes ao comportamento humano e animal....